O terceiro setor brasileiro é diverso, inovador e profundamente comprometido com transformação social e ambiental. Para poder impactar localmente, as organizações não governamentais se articulam com o Poder Público, a sociedade civil e, por vezes, instituições corporativas. Frente a tantas vozes diferentes, um desafio estrutural surge e limita o impacto de todos na prática: a ausência de um horizonte comum entre atores que atuam no mesmo campo.
Quando cada instituição planeja, executa e mede seus resultados de forma isolada, de maneira isolada, se perde em visão sistêmica, força política e capacidade de demonstrar impacto coletivo. Não se trata de padronizar causas ou uniformizar metodologias. Trata-se de alinhar objetivos sistêmicos e indicadores de avaliação que permitem consolidar e comparar os resultados:
- Estamos avançando como setor?
- Onde estão as lacunas territoriais?
- Quais práticas estão gerando mais impacto?
Em consequência, indicadores comuns:
- Permitem demonstrar impacto coletivo;
- Facilitam diálogo com financiadores;
- Aumentam capacidade de incidência;
- Reduzem dispersão de esforços.
Educação Ambiental: um case de governança sistêmica
Um exemplo relevante dessa construção coletiva é o Caderno de Indicadores de Monitoramento e Avaliação de Políticas Públicas de Educação Ambiental – 2ª edição, publicado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Mais do que um documento técnico, ele representa um processo de governança pública estruturado, participativo e baseado em evidências. Ele organiza dimensões transversais como:
- Governança participativa e adaptativa
- Formação e desenvolvimento de capacidades
- Intervenção territorial
- Comunicação
- Capacidade de resposta a imprevisibilidades
O caderno fornece um modelo de indicadores replicáveis para políticas públicas e iniciativas não governamentais, baseado em um inventário de ações e sua qualificação, aplicável por todos. Liderado pelo Poder Público, o documento potencializa uma visão comum estratégica que permite às organizações operacionais entender o que é esperado pelas políticas públicas e como podem desenhar seus projetos e programas a partir disso.
Vivemos um contexto de crise climática, aumento das desigualdades e restrição orçamentária. Nesse cenário, narrativas não são suficientes. Precisamos de métricas, governança e coordenação. O futuro das agendas socioambientais, educacionais e de direitos passa por planejamento estratégico coletivo e indicadores de impacto.
O que a minha organização pode fazer agora?
Se sua organização atua em rede ou em um campo temático amplo, reflita:
- Existe hoje um conjunto mínimo de indicadores compartilhados entre as instituições? Pode buscar informações a partir dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS);
- De quais políticas públicas o nosso trabalho depende ou responde diretamente?
- Quais outros atores são ativos e quais indicadores eles medem?
Criar estratégias e indicadores comuns não reduz autonomia, amplia potência. O case da Educação Ambiental mostra que, a governança pública estruturada potencializa ainda mais as possibilidades de impacto coletivo e fortalece o setor inteiro. Que tal avançarmos nessa direção em outras agendas também?




